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Orquidário do Estado – Laboratório de Cultivo in vitro

 

Cultivo in vitro: uma valiosa ferramenta para a preservação de orquídeas

Nas duas últimas décadas, as técnicas de cultivo in vitro têm sido amplamente utilizadas para a propagação de orquídeas, como também para o estudo de aspectos fisiológicos relacionados ao seu crescimento e desenvolvimento. A despeito de sua natureza herbácea, essas espécies apresentam crescimento bastante lento e, consequentemente, a produção de novas mudas é bastante demorada. Além disso, necessitam de um longo período para atingir o estágio floral para se reproduzirem naturalmente (a maioria das orquídeas pode levar de 3 a 10 anos para alcançar a floração). Por essas razões, as técnicas de cultivo in vitro tornaram-se bastante úteis no sentido de multiplicá-las mais rapidamente. Portanto, sob o ponto de vista preservacionista, a utilização dessa ferramenta é importante, pois possibilita a obtenção de um grande número de plantas em um tempo relativamente curto e com alta qualidade fitossanitária, contribuindo, dessa forma, para a diminuição do risco de extinção. A seguir, são apresentados os dois métodos de cultivo in vitro mais comumente utilizado para a multiplicação de espécies de orquídeas que estão em vias de extinção.

Germinação de sementes

A germinação de sementes de orquídeas in vitro vem sendo realizada desde o início do século passado, quando Knudson em 1922 descreveu a germinação das mesmas em meio de cultura asséptico (na ausência de fungos). Por meio dessa técnica, sementes oriundas de plantas matrizes adultas crescendo em ambiente natural ou em coleções vivas são utilizadas como fonte de propágulos. De maneira geral, as sementes são desinfestadas e posteriormente semeadas sobre os meios de cultura previamente preparados. Quando os frutos coletados estão intactos, pode-se optar pela desinfestação dos frutos, ao invés das sementes que são retiradas em seguida e inoculadas no meio de cultura. Os meios de cultura mais utilizados são os de Knudson (1946), de Vacin & Went (1949) e de Murashige & Skoog (1962).

Cultivo ápices caulinares e segmentos nodais

Para a manutenção de características da planta matriz, a regeneração de plantas a partir do cultivo in vitro de ápices caulinares e/ou segmentos nodais é uma alternativa vantajosa especialmente nos casos de espécies que apresentam baixas taxas de germinação e há disponibilidade de material (explantes) durante todo o ano. Inicialmente, os ápices caulinares e/ou segmentos nodais são inoculados em meio de cultura (líquido ou geleificado). Na primeira etapa de cultivo, as gemas contidas nos explantes são induzidas a formarem múltiplos brotos, os quais são submetidos a vários sub-cultivos, o que propicia uma multiplicação em taxas exponenciais. Quando se deseja transferir plantas para o ambiente natural, os brotos são induzidos a formarem raízes (segunda etapa). Os meios de cultura mais utilizados são os mesmos citados anteriormente, suplementados com reguladores de crescimento principalmente auxinas e citocininas. A última etapa consiste em aclimatar as plantas obtidas antes de levá-las ao ambiente natural. Esse método tem sido utilizado para multiplicação de várias espécies de orquídeas em vias de extinção.

Texto modificado de Ferreira WM, Suzuki RM (2008) O cultivo in vitro de orquídeas como alternativa para a preservação de espécies nativas ameaçadas de extinção. In: Loiola MIB, Baseia IG, Lichston JE (eds) Atualidades,desafios e perspectiva da botânica no Brasil. Imagem Gráfica, Natal,pp 67–68